Domine o leão

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Domine o leão

Bufar não leva a nada, principalmente em se tratando de acertar as contas com o Fisco.

Para tornar mais aprazível a missão, contadores e profissionais da área de finanças pessoais recomendam encarar de uma nova maneira a declaração do Imposto de Renda (IR). Ela deve ser vista como uma oportunidade de se fazer um balanço da vida financeira do ano anterior.

O gerente de contabilidade e tributos do Grupo Positivo, coordenador e professor de programas de MBA da Universidade Positivo nas áreas Tributária, Contabilidade e Controladoria, Marco Pitta, reforça essa orientação. “A declaração de Imposto de Renda nada mais é do que o balanço da pessoa física, semelhante aos balanços das empresas”, explica. Mudar a relação com o leão, na avaliação de Pitta é salutar para promover o “engajamento de todo contribuinte brasileiro”. “É importante para a pessoas perceber onde está e onde quer chegar em termos de patrimônio.”

De acordo com ele, tendo esse entendimento, a velha recomendação de reunir toda documentação em uma pasta passa a ter sentido. “E quem desenvolve essa disciplina, além de ganhar um tempo valioso no momento de preencher o programa da Receita Federal ou levar os documentos para o contador, ainda evita ser surpreendido por alguma divergência de dado decorrente do puro esquecimento de algum rendimento recebido ao longo do ano ou confusão de valores entre o que foi pago por um serviço, por exemplo, e o que o prestador do serviço informou”, observa Pitta.

Sobre as novidades na declaração desse ano, ele acredita que os avanços tecnológicos do programa, reunido agora em um único software, mais a atualização automática dos dados, deve facilitar a vida do contribuinte que tem por hábito preencher sozinho o declaração. Segundo o gerente, o cuidado maior neste ano deve ser em relação aos dependentes com 12 anos ou mais de idade. Até o ano passado, o contribuinte só precisava declarar o CPF dos maiores de 14 anos. “Agora os com 12 anos já precisam ter CPF”, afirma.

De acordo com ele, pela primeira vez a atualização cadastral traz os campos para preenchimento do número do celular e do e-mail do contribuinte.

RENDIMENTO

Quem recebeu uma soma de R$ 28.559,70 ou mais, em 2016, é obrigado a fazer a declaração do Imposto de Renda. As pessoas que receberam menos, mas tiveram valores retidos na fonte pagadora, situação comum entre os trabalhadores com comissão ou que fizeram rescisões, também precisam declarar. “Além de ser um documento oficial, que serve como comprovante de renda para muitas instituições, fazer a declaração, mesmo sem a obrigatoriedade, traz alguns ganhos, uma vez que a pessoa não terá que pagar imposto, mas pode ser restituída desse imposto retido na fonte. Além disso, se a pessoa estiver acumulando valores para algum patrimônio, no futuro, pode ter que dar explicações a Receita sobre como adquiriu tal bem. Declarar todo ano evita esse tipo de desgaste”, explica Pitta.

O assistente da superintendência da Receita Federal no Paraná e Santa Catarina, Vergílio Concetta, lembra ainda que não existe outra forma de ser restituído. “Quem teve algum valor retido na fonte, só pode ter acesso à restituição se fizer a declaração do IR. Não há outra forma de comprovar”.

O prazo final de entrega é até o último minuto do dia 28 abril. A Receita espera receber 28,3 milhões de declarações em todo o País. No Paraná, segundo o assistente técnico, a expectativa está em 1,8 milhão. Até o início desta semana, a Receita Federal no Estado já havia recebido 374 mil declarações (20,7%), sendo que só Londrina respondeu por 21.237 declarações e Curitiba com 108.952. “Na comparação com 2016, houve um ganho, já que nesse mesmo período apenas 17% dos paranaenses tinham enviado a declaração”, informa Concetta.

Ele acredita que para a maioria esmagadora da população, que possui apenas uma fonte pagadora e ainda recebe informe de rendimentos da empresa, é possível fazer a declaração por conta própria. “É complexo de preencher para quem tem aplicações em moedas estrangeiras ou mercado financeiro, ou várias fontes pagadoras. Para 80% dos contribuintes, o preenchimento das informações é fácil. E dando F1 no campo de preenchimento, abre a explicação do tipo de informação que a Receita quer que seja prestada”, indica.

 

No site www.sescap-pr.org.br/declarecerto/ também é possível acessar um série de vídeos e informações sobre o IR 2017. (M.M.)

 

Autor: Magaléa Mazziotti

Fonte: Folha de Londrina

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